A freguesia de Foz do Sousa fica situada na parte já montanhosa do concelho de Gondomar, sendo a primeira das cinco freguesias que constituem a chamada parte alta do concelho. Tem por limites do Nascente a freguesia do Covelo, do Sul o rio Douro, do Poente a freguesia de Jovim e do Norte as freguesias de S. Pedro da Cova e de Aguiar de Sousa, esta última pertencente ao concelho de Paredes. A sua maior largura desde o alto do Tronco, confins da freguesia de Jovim, até à margem direita do rio Douro, nos limites de Boialvo, freguesia de Covelo é de cinco mil e quinhentos metros, e o seu maior comprimento desde a margem direita do Douro, no lugar de Zebreiros até à serra de Gens é de sete mil metros. A sua superfície é superior a vinte mil metros quadrados.
A sua população é composta por cerca de dez mil habitantes, distribuídos pelos lugares da sua freguesia que são: Sousa, Ferreirinha, Gens, Jancido, Zebreiros, Compostela e Esposade. É esta freguesia atravessada pelo rio Sousa, que a divide em duas partes aproximadamente iguais. A parte Sul com lugares de Jancido, Compostela, Zebreiros e Esposade, sendo estas duas últimas povoações ribeirinhas banhadas pelo Rio Douro e os dois primeiros estabelecimentos no planalto que forma esta parte da freguesia; e a parte Norte com os restantes lugares que formam esta freguesia. É esta parte atravessada pelo rio Ferreira que, banhando o lugar de Ferreirinha, tem a sua confluência com o Sousa na Ribeira de Cima, 300 metros a montante do Estabelecimento Hidráulico de captação das águas do rio Sousa para abastecimento da cidade do Porto.
Situada esta freguesia na parte já montanhosa do concelho e cortada pelos dois rios acima referidos, é o seu solo bastante acidentado, o que tornava bastante difícil o seu acesso, agora com as estradas existentes na freguesia esta situação foi solucionada.
A sua constituição geológica é muito variável predominando os terrenos de natureza argilosa, sendo o extremo Nordeste atravessado pela camada carbonífera, onde se encontram as minas de carvão de Midões.
Os seus terrenos aráveis são formados por aluviões, terrenos turfosos e orgânicos ou de natureza vegetal.
A sua igreja paroquial está situada no lugar de Sousa; é de construção bastante antiga, mas não tem importância arquitectónica, sendo apenas de notar a obra de talha dos seus cinco altares que foram reparados, e dourados há pouco tempo. Tem capelas públicas nos lugares de Zebreiros, Compostela, Jancido, Gens e Ferreirinha, e capelas particulares nos lugares de Compostela e Esposade.
É da tradição que esta freguesia data de tempos muito remotos, dizendo-se que a ela pertenceram povos das freguesias circunvizinhas e até alguns da margem esquerda do Douro, mas não existem documentos onde se possa reconstituir a sua história, nem monumentos históricos por onde se possa inferir da parte que ela tomou nas convulsões políticas e sociais que se deram no país.
Sabe-se, contudo, que durante a invasão Francesa os soldados de Junot que por aqui fizeram paragem, exercendo carnificinas e entregando-se à pilhagem, sendo por eles roubadas todas as pratas e objectos de valor existentes na igreja.
Também esta freguesia tomou parte activa nas lutas constitucionais, ao lado do partido legitimista, que estabeleceu uma bateria de artilharia no sítio do Biqueiro, no lugar de Zebreiros, donde dominava todo o Rio Douro até à Aboínha a fim de evitar as incursões, que os liberais faziam, rio acima, e evitar o abastecimento da cidade do Porto. Existiu aqui, durante esse agitado período, um cabecilha miguelista, graduado em oficial miliciano e próximo parente de um outro morador em Covelo e de patente superior à dele, que foram durante esse tempo o terror deste povo.
Organizavam-se aqui, sob as suas ordens, um batalhão de milícias, mobilizaram homens e carros que mandavam para o Cerco do Porto e eles próprios tomaram parte com o seu batalhão no célebre combate de Ponte de Ferreira.
Terminado o Cerco do Porto, continuaram eles a organizar aqui guerrilhas que tomaram parte em todos os movimentos insurrecionais daquele histórico período, entregando-se à violência e ao roubo e só terminando a sua nefasta influência com o movimento regenerador do Duque de Saldanha.
Também na Grande Guerra tomou esta freguesia uma parte muito importante, sendo numerosos os seus filhos que pela Pátrica se bateram em África e na França, pagando alguns deles com a sua vida o seu heroísmo e dedicação pela Pátria. A Junta desta Freguesia, cumprindo um dever de gratidão, acabou por erigir uma lápide comemorativa e vedar uma parcela de terreno no cemitério de Compostela, destinado aos que nessa guerra tomaram parte.
Existiu nesta freguesia um morgado, que tinha o seu solar no lugar de Sousa, mas tudo isso terminou, sendo vendido em hasta pública, por execuções hipotecárias, todo o morgadio e dispersos os seus representantes, dos quais não existe nenhum nesta freguesia.
É desta freguesia atravessada no seu extremo Norte, pela estrada chamada do Alto do Concelho, que serve os lugares de Gens e Ferreirinha. O resto da freguesia, ou seja a parte mais importante dela, não é beneficiada com esta estrada, mas a Câmara tem em estudo a continuação da estrada que do lugar da Barraca, freguesia de Jovim, vai ao alto do Tronco, nos limites desta freguesia, e destinada a servir a parte ribeirinha do alto do concelho, incluindo o lanço dessa estrada que do Tronco desde à ponte da Ribeira, nas obras a executar com o empréstimo há pouco realizado. Cremos, pois, que esse lanço de estrada, que vem servir esta parte da freguesia, breve será um facto.
A indústria principal desta freguesia é a agricultura que está bastante desenvolvida e os terrenos bem aproveitados. A agricultura predominante é a do milho, tendo como acessória a do feijão.
Em menos escala cultiva-se o centeio e a cevada, sendo muito reduzida a cultura do trigo. Na cultura hortícola predomina a batata e várias espécies de hostaliças. Produz muito vinho. A indústria da criação do gado bovino constitue uma das principais riquezas da lavoura local, sendo bastante importante também a criação do gado suíno. Produzem os montados desta freguesia bastantes madeiras, matos e lenha, de que exporta grande quantidade. Sendo bastante densa a população desta freguesia, e não comportando as indústrias e trabalhos locais toda a sua povoação, muitos indivíduos aqui residentes exercem a sua actividade nos grandes centros comerciais, como o Porto e Vila Nova de Gaia.
É esta freguesia sede de um julgado, que se compõe das freguesias da Sousa, Jovim e Covelo.
É abundante em águas potáveis, que são de excelente qualidade.
Rio Sousa
As origens deste rio são do concelho de Felgueiras, dum e doutro lado da sede do concelho - Margaride. A Leste, as primeiras nascentes são em Friande e Sendim (lugar de Vilar) na raiz da serra de Santa Quitéria. Este pequeno rio passa perto da Igreja de Moure e banha sucessivamente Várzea, Caramos, Refontoura e Pedreira. A Oeste, os primeiros filetes de água veem da freguesia de Çagares e Torrados; reunidos atravessam a freguesia de Sousa, Sernande e Rande, recebendo as vertentes da serra de Barrosas. Em Unhão, no lugar dos Moinhos, encontram-se todos os três pequenos cursos de água. O rio segue depois através das freguesias dos concelhos de Felgueiras, Lousada, Paredes, Penafiel e entra no de Gondomar, passando próximo da freguesia de Covelo e uma grande parte do seu curso, através de terrenos cultivados, férteis e formosos, até que desagua na margem direita do rio Douro, junto à freguesia da Foz do Sousa, defronte de Arnelas, com um percurso aproximado de cerca de 45 quilómetros. Neste rio existe a Boga, o Escalo e a Enguia.
O vale por onde passam as suas águas, entre a sua foz e a confluência do Rio Ferreira, é profundo. Formam-no montanhas de declive considerável, cobertas de pinheiros, havendo apenas próximo do rio pequenas orlas de terrenos cultivados. Os terrenos que lhe formam o leito são, pela máxima parte, constituídos de granito. Próximo à foz são pertencentes à série paleozóica. Perto da confluência do rio Ferreira, no lugar da colheita da água, são formados por xistos cambrianos.
Abastecimento de água à cidade do Porto
A primeira concessão para o abastecimento de água à cidade do Porto foi pedida sem sucesso, em 1855, por um banqueiro do Porto; e o projecto elaborado por um engenheiro inglês aconselhava a tomada da água no Rio Leça, cujas águas animadas de fraca velocidade são de qualidade inferior, e cujo débito na estiagem é relativamente restrito.
A segunda concessão foi dirigida em 1864, à Câmara Municipal, cujo presidente era então o visconde de Lagoaça, por Monsenhor E. Gavand, engenheiro francês, autor do projecto, e apresentava uma solução verdadeira como qualidade e quantidade de água. A tomada fazia-se no rio Sousa. Esse projecto foi tido em consideração pela Câmara Municipal, mas o pedido de concessão foi recusado perante as garantias que o autor do projecto julgava indispensáveis.
A terceira concessão foi pedida em 1873, por um grupo de negociantes e engenheiros portugueses, e a Câmara, sob a presidência de Francisco Pinto Bessa, propôs a sua aprovação nas Côrtes. O grupo dos postulantes era o Barão de Massarelos, Amorim Braga, Cornélio Star e o engenheiro Kupk de Carvalho. O projecto tinha também a tomada no rio Sousa. Seis meses depois da aprovação nas Côrtes, os concessionários constituiram uma sociedade anónima de capital social de 800.000$00, podendo ser elevado a 2.500.000$00. Aprovada a concessão em 18 de Abril de 1873, a sociedade anónima foi constituída sob o nome de "The Oporto Water Warks Company Limited", mas o capital social não pôde ser formado e a sociedade acabou por não ser formalizada.
Todos os atrasos na solução das águas não podiam senão ser prejudiciais à cidade; e então, em 1880, a Câmara presidida por António Pinto de Magalhães Aguiar tomou a resolução de pôr em adjudicação pública a construção e exploração do abastecimento de água.